CPI apresenta relatório

O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL), sub-relator dos fundos de pensão na CPI dos Correios do Congresso Nacional, apresenta nesta terça-feira, dia 06/12, a primeira prestação de contas sobre o andamento dos trabalhos, em sessão secreta da comissão. Na ocasião, os demais integrantes da CPI conhecerão os resultados dos trabalhos, que podem atingir o ex-ministro Luiz Gushiken, atual assessor da Presidência da República, entre outros personagens do governo do PT e até do governo anterior, do PSDB.

O parlamentar baiano reuniu-se na última quinta-feira com os representantes das empresas de auditoria contratadas pela CPI, mas não adiantou o teor das conclusões deste trabalho à imprensa. Ele disse, no entanto, que foram constatadas “operações atípicas, irregulares, que fogem à atuação do mercado”. No entanto, ressaltou que as investigações estão sendo conduzidas “com o máximo cuidado” para que os trabalhos de investigação não sejam prejudicados.

ACM Neto ressaltou que o material que vai apresentar amanhã não será um relatório parcial e, portanto, não irá a votação. Ele pretende apresentar uma prestação de contas que, no fim, serão incorporadas no relatório do relator Osmar Serraglio (PMDB-PR). O deputado deverá ter novas reuniões com os auditores independentes para discutir o documento que será apresentado amanhã. A reunião será no Senado, na sala da CPI dos Correios.

A expectativa gerada na imprensa é que a sub-relatoria comandada por ACM Neto pode envolver ainda mais Luiz Gushiken, acusado de usar indevidamente sua influência dentro dos fundos de pensão. A impressão digital do ex-ministro foi encontrada em ações suspeitas do Petros (fundo dos funcionários da Petrobras) e da Previ (fundo dos funcionários do Banco do Brasil). Os dois perderam muito dinheiro no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Petros, por exemplo, perdeu R$53 milhões em 2002 nas chamadas “operações derivativas”, que significam uma aposta no valor futuro de um determinado ativo – taxa de câmbio ou taxa de juro, por exemplo. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, a perda atingiu R$90 milhões. Quem ganhou com ela? A CPI está no encalço. O presidente da Petros, Wagner Pinheiro, foi indicado para o cargo por Gushiken, assim como Sérgio Rosa, presidente da Previ. A Previ perdeu pouco em operações de mercado. Mas perdeu muito em investimentos imobiliários e em empresas das quais é acionista – como a Vale do Rio Doce e a Brasil Telecom, entre outras.

Vai sobrar também para Marcelo Sereno, ex-diretor de comunicação do PT. A CPI será informada, segundo informações da imprensa do sul do país, de que ele patrocinou estragos no Postalis (fundo dos empregados dos Correios) e no Núcleos (fundo dos funcionários da Eletronuclear).

A CPI também deverá contar com a ajuda de doleiros envolvidos no “valerioduto”, a exemplo de Najun Turner, que está preso em São Paulo por evasão de divisas e quer falar tudo o que sabe. Ele é acusado de ter montado operações da Natimar e da Bônus Banval em favor do empresários Marcos Valério. A CPI dos Correios já aprovou a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal das empresas da corretora Bônus Banval e de outras quatro empresas do grupo (Banval Commodities Corretora de Mercadorias, Bônus Banval Corretora de Títulos, Bônus Banval Participções Ltda e Bônus Banval SA).

A mulher de Najun Turner, Deusa Maria da Costa Turner, contou ao jornal Estado de S. Paulo que o doleiro quer uma acareação com Enivaldo Quadrado, um dos donos da Bônus Banval. Quadrado afirmou à CPI dos Correios que o dinheiro do `valerioduto´ na corretora foi investido pela Natimar, sob orientação de Turner. O doleiro nega e quer apresentar evidências que desmontariam a versão da Bônus Banval para a história. “Ele sabe de coisas que vão mostrar o que aconteceu de verdade e qual a participação da Bônus Banval nisso”, garantiu Deusa Maria.